sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Aos que eu não tenho mais

Até pouco tempo atrás eu tinha um discurso pronto na língua. Dores e expressões que permeavam um senso comum de caixeiro viajante. Uma impressão obrigatória do que ficou depois do salto. E depois do tombo.
Era melhor antes, agora eu estava velha. Havia perdido o tom. Já era tarde e toda razão da minha insônia e do meu cansaço eterno encontrava-se escondida à meia-noite com a lógica insípida e entre agarramentos conspiravam loucuras.

Bastante confortável.

Então por que me deparo hoje com uma porta enorme no meio do caminho que faço todos os dias? Imenso vão surgindo naquela abertura desleixada. A sensação, chegando lá, é de que eu sempre fora míope sem saber. E então acontece aquele flash e tudo vai se repetindo devagar com a certeza novata insistindo que agora as falhas iriam se preencher fechando o mosaico e trazendo um pouco de sentido... Ou tirando bastante do óbvio.
Pois agora, um pouco aliviada nos ombros, estou tentando juntar umas palavras que se traduzam em leituras sem vício. É aquela esperança boba de alcançar o bolo que está em cima da geladeira.

E eu que sempre pensei que a consciência fosse libertadora, hoje percebo que é uma reles condicional.

2 comentários:

Grasi disse...

Te perdoo por não ter aparecido no natal... mas pra te castigar um pouco tem um meme pra ti no meu blog!!!
hehehe
Pega o selinho e as regras lá.
Bjo****

Anônimo disse...

Muito bom!
Aos que sabem ver beleza no lado trágico e ilógico da vida, um texto inspirador.

Julio Boluda