<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173</id><updated>2011-12-20T16:19:26.878-08:00</updated><category term='vida'/><category term='infância'/><category term='reflexões'/><category term='pessoas'/><category term='morte'/><title type='text'>Whatever...</title><subtitle type='html'>"... gosto de muitas coisas ao mesmo tempo, e me confundo inteiro e fico todo enrolado correndo de um destino falido para outro, até desistir. Assim é a noite, é isso o que ela faz com você; eu não tinha nada a oferecer a ninguém, a não ser minha própria confusão". (Jack Kerouac, On the road)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>36</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-6460400554837461155</id><published>2010-10-21T16:59:00.000-07:00</published><updated>2011-02-03T07:52:54.223-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infância'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>Eterno futuro</title><content type='html'>Fitando-me diante do espelho eu percebia a quantas andava aquele corpo largado pelo tempo. Afinal, já se iam tantos anos desde que parei de contar os centímetros do quadril. Arriscava-me a mergulhar nas justificativas infames dos perdidos dias de infância, quando o que menos pesava era a vaidade e, só por isso, era-se mais feliz. Não sabia bem ao certo se isso servia como explicação, mas no momento contagiava os lábios tal lembrança e aos poucos eu esboçava aquele sorriso que não tinha tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando pequena, as marcas não foram duras, mas poderia perfeitamente esconder-me nas rachaduras dos anos de trovoadas. Tinha meus cinco ou seis anos, figura magrela e descompromissada metida em camisolões de linho. E não há como voltar no túnel sem referir a memória aos grandes e duros bigodes do meu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia tumultuado, eu escapara dos olhos esticados da mãe para invadir o quarto proibido. Todos estavam na sala conversando alto, os homens bebendo sem medida. Empurrei a porta pesada e respirei uma atmosfera sólida. Tudo ali estava tão morto quanto ele. Olhei em volta e os quadros velhos nas paredes não ligavam para a assimetria, contrapondo com as dezenas de quinquilharias perfeitamente equilibradas sobre a penteadeira, o armário, as prateleiras e a cabeceira da cama. Sobre os lençóis grossos da fazenda estava o corpo esticado desenhando uma silhueta montanhosa, a barriga fazendo sombra com a luz amarela do criado mudo. De resto, pouco mais consigo lembrar além dos dedos engalfinhados sobre o peito inerte. Seu bigode estava lá também, compondo o visual severo, desta vez sem a testa franzida costumeira. Apenas a representação bruta de um escovão sobre a boca calada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subindo na ponta dos pés, uma força que não busquei controlar fez com que eu estendesse a mão em direção aos pêlos que jaziam no rosto do meu pai. Coisa que nunca fizera em vida, apesar do coração estar aos pulos eu trazia certo divertimento pelo feito quando senti o bigode espetar meu dedo. No susto, tratei de sair dali em um pulo só. Já do lado de fora, constatando que ninguém dera pela minha investida, postei-me no corredor. Os pés no chão encurvados um contra o outro. As mãos enroladas nas costas, a esquerda guardando a direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estranhamento do dia não tardara encontrar seu sentido, quando pela semana afora dei pelo lugar sempre vazio na ponta da mesa às refeições. A mãe sustentando bolsas d’água sob os olhos fundos, a Naná trazendo o feijão sem a gritaria de antigamente. Sim, porque quando temos pouca vida, antigamente pode ser ontem e o futuro tem a dimensão do infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não suspeitem da minha dificuldade de compreender as coisas à minha volta. Eu pouco me dedicava a pensar, é bem verdade. Mas entender o real significado da morte a mim era descabido. Assim, a inocência se perdeu com os fios compridos desprendidos da minha nuca enquanto Naná me penteava para o colégio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu pai morreu né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com olhar doce, a mulher cujas mãos me colocaram no mundo, conforme fui saber mais tarde, já falava se preparando para o momento: - sim, ele morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas ele morreu a semana inteira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um instante e toda simplicidade de Naná captou meu raciocínio fraco e suspirou: - sim, todos os dias e todas as noites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ouvi profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E ele vai parar de morrer algum dia ou devo me acostumar com isso?&lt;br /&gt;De resposta, ganhei um abraço e me livrei da escola por uma tarde inteirinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, diante do espelho, ocorreu-me: me acostumei enfim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-6460400554837461155?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/6460400554837461155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=6460400554837461155' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/6460400554837461155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/6460400554837461155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2010/10/eterno-futuro.html' title='Eterno futuro'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-2552694336461147022</id><published>2010-01-26T04:01:00.001-08:00</published><updated>2010-01-26T08:18:08.332-08:00</updated><title type='text'>Fratura exposta</title><content type='html'>Não era a primeira noite que acordava de sobressalto. Um beliscão nos ossos internos do ouvido confundia os sentidos e por um segundo não sabia ao certo se estivera mesmo dormindo até então. Na meia luz observava aqueles contornos de borboleta. Deitada de costas, ela ressonava mergulhada nos seus habituais sonhos lúdicos. O desenho dos seus ombros provocava-lhe um fascínio quase hipnótico. Eram como asas, em sua irresistível fragilidade que quase implorava o toque. E mesmo sabendo que poderia se romper tão facilmente, deixava-se afagar sem qualquer pudor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele acordava cedo demais. Vestia-se sem muito cuidado e saía em silêncio para procurar emprego, muitas vezes encontrando outras coisas pelo caminho. E só quando o sol desistia e punha-se a deitar que ele tomava o rumo de casa. Escondido sob o hálito de carvalho, um olhar de cansaço forçado, assim a desculpa diária estava garantida.&lt;br /&gt;Mal cruzava o portão e seu corpo era envolvido por aqueles braços finos e brancos. O perfume de alfazema pingava em sua camisa surrada ao ganhar aqueles lábios. Todos os dias como se fosse o primeiro.&lt;br /&gt;Ele esboçava um sorriso: uma fratura exposta. E ela aceitava com duas doses extras de açúcar. Ouvia-lhe todas as histórias, todas as recusas de cada dia. Caprichava na camisola, afagava-lhe os cabelos, arriscava, vez ou outra, um pedido gentil. Ela, que escolhera a vida da doação, que trabalhava perto de casa para levar o pequeno Ernesto para a escola, que acompanhava o crescimento das colméias, que lhe esperava com café e chinelos de pano. Ela, que era a razão de suas vergonhas, dormia tranquila e plena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, a cada noite em claro, ele pensava que a amava mais pela expectativa de aprender a amar do que pela compreensão absoluta do sentido. E ele, que só sabia amar com culpa, tirava-lhe os cabelos do rosto e sussurrava-lhe um pedido de desculpa quando tinha certeza de que não seria ouvido. Quem sabe sua mente relaxada capture o momento e ele passe a frequentar seus sonhos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-2552694336461147022?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/2552694336461147022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=2552694336461147022' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/2552694336461147022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/2552694336461147022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2010/01/fratura-exposta.html' title='Fratura exposta'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-5713693770842543606</id><published>2010-01-08T08:17:00.000-08:00</published><updated>2010-01-08T11:00:35.494-08:00</updated><title type='text'>Ela fala com as flores</title><content type='html'>Apesar de o vento sul ter acordado naquela manhã com tanta vontade de ser, para um dia que começava assim meio cinzento era até estranho que ela estivesse tão feliz. Mas a paisagem que se formava diante da sua janela tinha algo de nostálgico. Na realidade uma sensação conhecida sobre algo que nunca fora vivido. Coisas de uma mente em constante reforma.&lt;br /&gt;Assim, depois de tantos anos tendo rachaduras como vista, dando-se por satisfeita com os fragmentos de cal e gesso absorvidos durante as fungadas saídas dos lençóis, não esperava que algum dia seriam pintadas cabras ao fundo. Vejam só, cabras!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse jeito até poderia perdoar as esquisitices de um povo tão simplório. Talvez os caprinos fossem a moeda local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saindo cedinho reatava os laços com o sol, essa sua timidez própria dos dias frios lhe fazia sorrir mesmo antes de despertar completamente. Na mão direita um copo de café fervendo, na mão esquerda, atrapalhada, buscava os óculos escuros para poder olhar o céu. A promessa de passos mais lentos era derrubada pela urgência costumeira, despropositada porém. Enfim, algo teria que continuar no ritmo dos seus pensamentos, já que o equilíbrio se mostrava fundamental nesses últimos meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruzando com pássaros bem resolvidos e flores que alcançavam seu ombro, ela presta atenção nos detalhes. Apenas alguns naquele dia. Outros ficariam para os próximos, pois não era possível degustar tantos elementos sem evitar que seus sabores passassem informações equivocadas na mistura. Pouco antes de alcançar o bonde que perambula preguiçoso pela via principal, ela sente um perfume tão ou mais familiar que o cheirinho de creme de rosto da mãe. Pára um instante, segura a cena. Ao seu lado a chance de resgatar uma velha amizade. De ombros para o ridículo, ela não resiste:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, Sr. Girassol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E seguiu caminho abafando um risinho infantil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-5713693770842543606?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/5713693770842543606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=5713693770842543606' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/5713693770842543606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/5713693770842543606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2010/01/ela-fala-com-as-flores.html' title='Ela fala com as flores'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-8152818477900496643</id><published>2009-12-05T15:58:00.000-08:00</published><updated>2009-12-05T16:19:23.746-08:00</updated><title type='text'>Nos vemos no inferno</title><content type='html'>Seu bigode distorce as imagens diante do nariz. Gigante medíocre, o grande W. maquia-se de mártir e pinga algumas lágrimas a cada copo de gim. &lt;em&gt;Quem acreditaria?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu sangue doente faz da extensão das suas veias humilhados escravos. Sem outra alternativa, mergulhados na crença dos laços, correm como ratos atrás dos rastros do chinelo de pano, lambendo a poeira, aspirando as cinzas, agradecendo por permitir-lhes dois rins sadios. O mestre se recolhe em sua jaula, cadeado em mãos, filetes de gelo arremessados aqui e ali. Estava entre os seus poderes. &lt;em&gt;Quem duvidaria?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu palácio cercado de ouro cheira à merda. Entre as baforadas, cria novos venenos e puxa tudo para o rosa, sem lembrar que o sol entra quando bem quer entregando todo o jogo. Enquanto o gênio aguarda interessados em publicar sua obra, desliga-se da lógica e desenha o futuro do universo. É dele a posição das peças, é com ele que se guarda a chave. Peça permissão, mas não seja escuro, não tenha ideias, e logo lhe será estendido o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardo seus restos de pele que apodrecem recusados pelos urubus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-8152818477900496643?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/8152818477900496643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=8152818477900496643' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8152818477900496643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8152818477900496643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2009/12/nos-vemos-no-inferno.html' title='Nos vemos no inferno'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-9022461877616631547</id><published>2009-11-18T19:07:00.000-08:00</published><updated>2009-11-18T19:23:47.696-08:00</updated><title type='text'>O terceiro caminho</title><content type='html'>Se a roupa pesada não perturbava mais, muito menos as raras gotas grossas de chuva nos cabelos enroscados.&lt;br /&gt;Não tinha necessidade de estar naquele estado, mas ela bem que gostava de causar náusea aos estranhos transeuntes, já sabendo que aquele não-olhar era o retorno mais extenso que receberia até a virada da esquina. Ou até o próximo movimento excêntrico.&lt;br /&gt;Enquanto muitos meditavam sobre almofadas fofas e som ambiente, ela sentia a veracidade na pedra.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pensar longe do mundo é fácil,&lt;/em&gt; dizia sempre&lt;em&gt;, quero ver estar na rua e tentar desconectar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mas sua teoria ignorada pelos livros não tinha futuro, de qualquer forma estava lá toda vez.&lt;br /&gt;A bem da verdade, era deveras divertido o que vinha percebendo nos últimos anos. Enquanto praticava seu ato de desonra com louvor, via-se compartilhando a mente, absorvendo uma parcela da pressa alheia e jogando de volta um desinteresse completo pelo universo cerimonial que se formava ao seu redor.&lt;br /&gt;Como era de se esperar, por baixo dos panos sempre havia uma razão. Desentendida ou arredia, mas era certo que estava lá. E como tudo é medo ou dor nesse quesito, sentia-se envergonhada no aprofundamento.&lt;br /&gt;Pois a cada dia sua dor aumentava e diminuia ao mesmo tempo, na mesma medida, como se maior e menor não fossem opostos. Eram dois fenômenos que juntos seguiam para uma terceira direção, advinda de uma estagnação doentia e sem chances de se revelar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-9022461877616631547?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/9022461877616631547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=9022461877616631547' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/9022461877616631547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/9022461877616631547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2009/11/o-terceiro-caminho.html' title='O terceiro caminho'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-2170683263862594559</id><published>2009-10-20T19:08:00.001-07:00</published><updated>2011-02-03T08:02:01.413-08:00</updated><title type='text'>Ao ver Marina passar</title><content type='html'>Pensar simplesmente não era o forte dele. Garoto magrelo, roupas fora de moda e óculos de aros escuros lhe cobravam um perfil mais próximo do intelectual. Coisa que não era nem de longe.&lt;br /&gt;Definitivamente seus olhos eram pálidos. Inesperadamente seus gestos imediatos alcançavam pouco mais do que uma alusão ao possível. Assim, Pedro constrangia a cada ranger dos dentes e permitia invasões ao seu íntimo sem afetar uma construção tanto mais profunda do que um mero reflexo.&lt;br /&gt;Mas é certo que se valia de toda a vantagem da imagem grosseira de menino prodígio. Tal considerado, no máximo, poderia referir à inquietação perene, ações que lhe emprestavam um ar assim... digamos, de raras percepções.&lt;br /&gt;Pedro andava chutando pedras invisíveis para fingir-se concentrado enquanto sua mente saltitava de momento em momento, demorando-se ínfimos segundos em cada desenrosco, cada qual levando a lugar algum. Ria-se de risos alheios, absorvia um pouco de fofoca diária, estendia-se no exercício do nada e cansava-se do ritmo das formigas.&lt;br /&gt;Ao seu redor pessoas se desmanchavam inteiras e as manchas coloridas iam se tornando opacas, alternando os encaixes antes de se recompor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E conhecer Marina lhe roubou longos 4 minutos de contemplação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo que até hoje busca por aí, barganhando até promessas e dando ao ar uma chance de preeenchê-lo enfim.&lt;br /&gt;A ele, a forma harmônica de lábios pequenos reservou uma vida escondida sob os mistérios do desencontro. Ele não teria como saber de antemão, mas já duravam bem mais seus raciocínios ao formular equações pulsantes. Desprovido do dom da observação, ele deixara de perceber a quantas andava sua mente ao atravessar a ponte e adentrar o caminho das flores de campo trajando somente branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto daquelas doces curvas seus gestos já não eram mais tão curtos e parte de seus dedos se arriscaram por entre os cachos brisados encontrando a linha de um pensamento que nunca havia se permitido seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ver Marina passar, ele resolveu se casar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-2170683263862594559?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/2170683263862594559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=2170683263862594559' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/2170683263862594559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/2170683263862594559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2009/10/ao-ver-marina-passar.html' title='Ao ver Marina passar'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-2400507345710348295</id><published>2009-08-12T13:41:00.000-07:00</published><updated>2009-08-12T13:51:21.803-07:00</updated><title type='text'>O mundo de Norma Flor</title><content type='html'>Quem conheceu Norma Flor sabe que a dor pode assumir o posto de infinito. Norma Flor teve o azar de ser e estar. Algo que nunca poderia mudar, mas que hoje arrasta sua existência com a aspereza de uma mão calejada de tantas agulhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua vida era medida em metros quadrados. Cerca de 300 ou menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A população do seu planeta era sua clientela rabugenta e apressada. Chegavam às pilhas depositando sacolas e levantando poeira na velha mesa parcialmente devorada por cupins. Norma Flor tossia implicante. Ninguém notava. Os habitantes de Norma Flor queriam tudo pra amanhã antes das 5h. Entravam e saiam e ela nem sabia mais quem era quem. Bastava deixar tudo sempre pronto, cada um sabia o que lhe cabia melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Norma Flor baixava a cabeça diante da velha máquina de costura e pedalava como nos velhos tempos. Porque eram apenas esses que ela conhecia.&lt;br /&gt;Pedalava rápido, os pés desenhados no ferro. Seu quadril era a base; seus dentes, a agulha por onde passava todo o tipo de arte. Do pano de linho amarelado à seda mais pura. Ela seguia mordendo os pontos, desenhando as formas como estradas que nunca chegam à praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu planeta tem uma cozinha velha, uma garagem cheia de tralhas, um banheiro enorme com uma banheira nostálgica, um quarto comum e um cômodo fechado. Fechado por quem? Não por Norma Flor.&lt;br /&gt;Norma Flor não é o tipo de pessoa que fecha um cômodo. Mas se estiver fechado, ela nunca ousaria abrir. E agora, por mais que os anos voem, sabedoria e grandeza se fundem moldando uma nova razão: o esquecimento.&lt;br /&gt;Hoje, 35 anos mais tarde, ela segue produzindo seu som de máquina velha dia e noite, deixando tudo pronto até as 5h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o povo sacudido do seu planeta não se aguenta e forma filas suspeitas, cada um mais decidido que o outro a quebrar o Esquecimento. Empurram-se, entram sorrateiros, cochicham, resmungam e esbarram nas coisas. Os habitantes de Norma Flor não querem portas fechadas.&lt;br /&gt;Seus súditos fofoqueiros escancaram a porta selada pelo tempo e contemplam um espaço branco e vazio. À exceção das teias de aranha, nada há para ser compartilhado com pipoca. Todos saem aos poucos mergulhando em suas rabugices. Resta Norma Flor parada diante do vão maculado, pequenina e enrugada, franzindo a testa para segurar a coluna que já encolheu depois de tantos anos sendo máquina. Olhos verde-claros pingando lágrimas, respira rápido e profundo para não deixar o ar fugir.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Guardo-o todo comigo e torno-me você.&lt;/em&gt; Norma Flor deixou-se absorver pelas paredes e fechou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa velha ao lado da máquina de costura, pilhas e pilhas de sacolas acumulam inquietando a poeira e nada mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-2400507345710348295?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/2400507345710348295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=2400507345710348295' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/2400507345710348295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/2400507345710348295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2009/08/o-mundo-de-norma-flor.html' title='O mundo de Norma Flor'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-8394478679917518537</id><published>2009-07-20T20:06:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T20:34:20.675-07:00</updated><title type='text'>Apenas mais um josé</title><content type='html'>Sob o sol do trigésimo terceiro por-do-sol daquele inverno, o homem de estatura baixa buscava algum tipo de conforto. O suor ácido e viscoso colava entre as dobras do pescoço manchado, denotando certa ausência de higiene para a qual ele nem mais ligava. As mãos espalmadas como em estado de meditação buscavam os raios fracos, que em meio às sombras dos edifícios marcavam vincos profundos e cortes mal cicatrizados.&lt;br /&gt;Num dado momento cogitou ir para casa. Mas a imagem referencial surgia turva, em caminhos alternados, talvez entrecortados ou mesmo invadidos e alterados por uma civilização varrida dali. Mesmo assim buscou a chave minúscula que levava junto ao peito, presa por um resto de barbante. Pensou com ironia na fragilidade daquela peça, produzida e reproduzida tantas vezes que já nem contava mais, cada cópia associada a uma perda... Criara sem querer um significado novo para aquele metal retorcido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanta reflexão afastou a pouca luz que restava, dando lugar ao vento gelado, tão cortante quanto o barulho de buzinas e de gente. Era toda a gente que saía das caixas. Gente de calçada, gente de cadeiras, gente de risadas... De grupos, de duplas, de filhos pendurados... Gente de ninguém como ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boca seca gritou saudade de álcool e limão. Ao seu lado, gente de camisa xadrez e livros tagarelava teorias desmedidas, entediando uma garota avoada que enchia a cara para fingir que não entendia nada daquilo. Ele se encheu de compaixão por aquela pessoinha deslocada, chegou-se mais, pediu cigarros e bebida. Pôs-se a entrete-la com uma conversa qualquer, à qual era óbvio que ela se dedicava bem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ficaram assim por horas. Brincando de pensadores, falando qualquer asneira intercalada com profundas compreensões instantâneas. Dessas que surgem preciosas em momentos tão perdidos e dão mais sentido ao pensamento coletivo... Mas que geralmente são esquecidas logo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na virada do dia a boca cansa de abrir e fechar. A língua amolece e os olhos piscam mais devagar. A garota tem mais pique, é bem verdade, mas ele bem que aguentou firme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você não vai para casa?&lt;/em&gt;, ela pergunta já amiga de longa data. Para quê? Logo mais tenho que voltar. Então me ajeito por aqui mesmo. A resposta satisfaz e ela vai embora em seu passo lento. Ele puxa o cobertor e adormece com um sorriso de novas ideias. Logo amanhecerá e apenas mais um josé dorme sereno na calçada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-8394478679917518537?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/8394478679917518537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=8394478679917518537' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8394478679917518537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8394478679917518537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2009/07/apenas-mais-um-jose.html' title='Apenas mais um josé'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-573771381466169923</id><published>2009-06-18T11:32:00.000-07:00</published><updated>2009-07-06T05:18:29.144-07:00</updated><title type='text'>Desconstrução III</title><content type='html'>Estou meio cansado, olhos embaçados, parece que há fumaça ao meu redor. Escrevo assim devagar, pois dói-me a mão ainda com bolhas de hoje cedo. Um caixote mal arranjado fará o papel da minha célebre mesa de jantar... Dou uma risada que sai mais alto do que esperava ao pensar em minha mãe. Penso forte, denso, ela quase está aqui à frente perambulando por entre os tijolos e a areia com um ar contrafeito e nariz vermelho de alergia. &lt;em&gt;“Deve ter milhares de gatos por aqui, sabe que sou alérgica a gatos&lt;/em&gt;”, brada ela mal se equilibrando no alto de um salto 15.&lt;br /&gt;Meu riso me assusta e num pulo deixo a caneta cair, mas o som parece vir de algo muito mais pesado. Formigas ao chão soam-me como uma debandada de búfalos.&lt;br /&gt;À minha frente não há mais a mesma paisagem e, embora esta seja repulsiva, baixo a cabeça e sigo escrevendo com um lábio mordido ornado por um fio de sangue seco.&lt;br /&gt;Pede-se licença e arranca da mente a marca de batom, a casca de esmalte cor de café. Lindas mãos pousadas sobre fino tecido que fora arremessado com tanto desprezo sobre a cama recém feita com cheiro de chá de maçã. Intempestiva forma fugaz que lança ao ar um sopro de beleza inexplicável, incompreensível encanto no ódio mais primitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cena destruída estico as pernas buscando um cigarro, depois os fósforos, esfregando com insistência os olhos, quase acreditando na opacidade do cenário. Sou um homem criança dentro de um corpo adulto retocado. Acima disso apenas o vazio; e abaixo, o vácuo. É isso que me coloca onde estou e não posso cuspir diante de tamanho favor que a vida me concede, jogando-me para longe de antes, dando-me na feiúra e na poeira a sorte de reconstruir as peças encaixadas sem base, tão incrível mosaico que logo desmontaria por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dobro meu corpo em direção ao chão, vejo-me ali naquela pedra rompida. Agora que monto virilidade, empilho empáfia. Mais um tijolo fora do lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-573771381466169923?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/573771381466169923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=573771381466169923' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/573771381466169923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/573771381466169923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2009/06/desconstrucao-iii.html' title='Desconstrução III'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-5991649153353760660</id><published>2009-04-21T08:40:00.000-07:00</published><updated>2009-04-21T10:56:34.025-07:00</updated><title type='text'>Sem controle</title><content type='html'>Você está pensando o quê? É chegar, sentar, colocar os pés para o alto, acender seu cachimbo e vomitar baforadas no espelho julgando-se capaz de compreender tudo o que lhe cerca.&lt;br /&gt;Enquanto as folhas levantam vôo logo ali você não sabe sequer quem lhe chegou por trás aplicando aquela peça, rasgando a lapela do seu casaco desajeitadamente enquanto tentou sussurrar-lhe um segredo.&lt;br /&gt;Assim algumas palavras desconexas vagam até hoje na sua mente arriscando algumas relações improváveis, unindo-se, invertendo-se, divertindo-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É porque, dentre todas, é a mais bela, a mais forte, a mais segura que você tenta alcançar esticando-se na ponta dos pés denotando uma falta de prática patética diante de dez gargalhadas contidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, você está pensando o quê? Você não sabe mais o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou nunca soube.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-5991649153353760660?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/5991649153353760660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=5991649153353760660' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/5991649153353760660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/5991649153353760660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2009/04/sem-controle.html' title='Sem controle'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-6063677549835878503</id><published>2009-04-06T07:47:00.000-07:00</published><updated>2009-04-06T07:49:03.878-07:00</updated><title type='text'>Seu moço</title><content type='html'>Ei, moço,&lt;br /&gt;Você que chega a passos mansos envolto em trapos brancos meio rasgados, já suado em prantos soluçados. Coloca um pé à frente do outro sem métrica, sacode os bolsos com o movimento nervoso das mãos elétricas, tateia por um cigarro, encontra uma foto velha de sua amante histérica que em cantos melosos torneados por cílios postiços colocava-lhe as rédeas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ei, moço,&lt;br /&gt;Aonde você vai agora? A chuva está mais forte e você caminha sem rumo, sem sorte, parece a cada dia despertar em busca da morte. E se ao norte sua forma se esvai e você ainda vagueia por entre brisas e poeira, sem esbarrar, sem descansar, sem desviar do rumo imaginário, me diga moço: onde encontra seu fim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois eu aqui não sou ninguém, seu moço, mas me permita dizer-lhe poucas palavras tolas... Caso tudo isso lhe subir pela garganta, entenda que de nada adianta seus passos eternos para diante do ontem. Você apenas se põe a andar em círculos, pois é só o que sua mente conseguirá comandar. Então recolha seus joelhos batidos, seus ouvidos feridos de tanto silêncio e volte para dentro de si até a chuva passar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-6063677549835878503?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/6063677549835878503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=6063677549835878503' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/6063677549835878503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/6063677549835878503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2009/04/seu-moco.html' title='Seu moço'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-4866577397910490859</id><published>2009-03-24T06:42:00.000-07:00</published><updated>2009-03-24T06:43:22.388-07:00</updated><title type='text'>Antes de agora</title><content type='html'>O que você vive está estampado na sua cara. Essa cara é a sombra do que já se fez...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do que já se viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não há como apagar essa marca. Você tenta quebrar, mas o tecido é tão leve que não se rompe na mais alta queda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não se rasga no mais firme impulso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que você fez e criou cresce a cada momento e a única ação o impele a carregar e arrastar dia-a-dia por entre breves descansos.&lt;br /&gt;E você tenta recomeçar. É um recomeço oposto ao começar de novo... Como um reinvento inverso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O retrocesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é caminhando a passos curtos para trás que você impede a queda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas jamais descobre o que está atrás do muro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-4866577397910490859?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/4866577397910490859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=4866577397910490859' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/4866577397910490859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/4866577397910490859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2009/03/antes-de-agora.html' title='Antes de agora'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-1630969066092728595</id><published>2009-02-18T05:04:00.000-08:00</published><updated>2009-02-26T08:54:48.834-08:00</updated><title type='text'>Elline - 1821</title><content type='html'>O despertar era sempre um momento de delicada transição. Aos poucos o sono se acabava, esgotando sua magia e dando lugar à vivacidade contida na face aquecida. Esse momento sempre a conduzia em leves ondas mornas. A cada sonho uma carga de sensações tão densas e tão profundas que garantiam um dia inteiro de refúgio.&lt;br /&gt;E tão logo o sono findava, Elline abria os olhos lentamente envolta em uma aura espessa avermelhada que tomava seu quarto inteiro e entrava pelas narinas e pelos poros, parecendo arrancar-lhe daquele lugar. Por vários minutos a confusão da chegada à realidade lhe envolvia completamente e ela ficava lá quietinha, absorvendo cada odor, cada espasmo de surrealidade num desejo de agarrar-se àquilo para que não se perdesse jamais.&lt;br /&gt;Fechava então os olhos novamente tentando reviver tudo o que se passara, buscando seu sentido e traduzindo o incompreensível em vagas impressões. Ao selar as pálpebras sentiu o resgate da memória de um sonho reincidente. Ela estava lá. Não era seu corpo, não era seu rosto, mas sabia que era ela. Sob seus pés um chão desconhecido, como se a terra perdesse seu significado e estivesse presente através daquela linha ondulada repleta de grãos minúsculos.&lt;br /&gt;No seu sonho, Elline não falava, não via, não ouvia. Eram apenas impulsos invisíveis a dominar o espaço.&lt;br /&gt;Era como que estivesse a pegar o vento entre as mãos e ouvir-lhe uma cantiga de ninar.&lt;br /&gt;Com os sentidos desconexos a atmosfera alternava em cores, e cada cor um perfume. Por poucos instantes o cheiro suave dava lugar a odores amadeirados que lhe faziam torcer o nariz pela simples lembrança... mas logo cessavam.&lt;br /&gt;O desejo forte caía-lhe como uma rocha no peito e ela se contorcia, por hora tentando evitá-lo em constrangimento infantil, para depois recebê-lo de braços erguidos respirando fundo e guardando em si cada tremor com um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim, ela suspirava. Erguia-se da cama e logo a nuvem da cor dos seus cabelos era expulsa pelos movimentos rápidos e bruscos das arrumadeiras que invadiam seu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elline mal podia esperar o anoitecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-1630969066092728595?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/1630969066092728595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=1630969066092728595' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/1630969066092728595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/1630969066092728595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2009/02/elline-1821.html' title='Elline - 1821'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-3532481701248717030</id><published>2009-01-16T05:06:00.001-08:00</published><updated>2009-01-23T05:13:43.746-08:00</updated><title type='text'>Aos que eu não tenho mais</title><content type='html'>Até pouco tempo atrás eu tinha um discurso pronto na língua. Dores e expressões que permeavam um senso comum de caixeiro viajante. Uma impressão obrigatória do que ficou depois do salto. E depois do tombo.&lt;br /&gt;Era melhor antes, agora eu estava velha. Havia perdido o tom. Já era tarde e toda razão da minha insônia e do meu cansaço eterno encontrava-se escondida à meia-noite com a lógica insípida e entre agarramentos conspiravam loucuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bastante confortável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então por que me deparo hoje com uma porta enorme no meio do caminho que faço todos os dias? Imenso vão surgindo naquela abertura desleixada. A sensação, chegando lá, é de que eu sempre fora míope sem saber. E então acontece aquele flash e tudo vai se repetindo devagar com a certeza novata insistindo que agora as falhas iriam se preencher fechando o mosaico e trazendo um pouco de sentido... Ou tirando bastante do óbvio.&lt;br /&gt;Pois agora, um pouco aliviada nos ombros, estou tentando juntar umas palavras que se traduzam em leituras sem vício. É aquela esperança boba de alcançar o bolo que está em cima da geladeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu que sempre pensei que a consciência fosse libertadora, hoje percebo que é uma reles condicional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-3532481701248717030?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/3532481701248717030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=3532481701248717030' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/3532481701248717030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/3532481701248717030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2009/01/aos-que-eu-no-tenho-mais.html' title='Aos que eu não tenho mais'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-8560352865134439482</id><published>2009-01-13T05:25:00.000-08:00</published><updated>2009-01-13T08:29:46.046-08:00</updated><title type='text'>Idéia imediata</title><content type='html'>Quem diria que eu me encontraria hoje nesse corpo mirrado de fala resmungada e mente no repeat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim estou. Sentado, sentindo e transpondo toda a minha velhice desde que desisti de caminhar para guardar as gotas de energia que a vida me dava em pingos miseráveis semanais... Os olhos parecendo não ver, talvez em protesto pela cegueira de uma geração.&lt;br /&gt;Acomodo-me entre as tábuas com meus ossos que perderam a proteção e agora esperam a ordem para desmoronar. Mas eu não me importo porque não dói. Pelo contrário, sinto conforto na rigidez insegura da minha estrutura oca e faço pirraça me encurvando um pouco mais. Olho para os pombos com fome e para a mulher gorda que finge sofisticação. Se fosse para comer talvez ela fosse mais apetitosa, mas a questão toda é que eu prefiro os bichos mesmo.&lt;br /&gt;Passa o jovem atlético correndo descompassado: é seu pescoço que virou para acompanhar o ritmo daquela colegial com quadris de criança. Meu ouvido peludo capta um choro de bebê que mais se assemelha a uma gata no cio e assim desperta minha fome novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez devesse tomar um café da manhã de vez em quando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que não lembro de estar em outro lugar que não nesta praça de 5 metros de diâmetro em frente a uma igreja meio caipira que mais recebe famintos em busca de hóstia do que fiéis em busca de uma carreira de reza. E nessa onda de ficar sempre aqui esqueço a hora de ir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando me deparei comigo de pé em um dia de garoa com sol porque não encontrava o banco. E nem a praça. Nem mesmo aquele cheiro agridoce de feijão com detergente da velha de muletas. Foi aí que lembrei de voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora não me pergunte mais. Não lembro bem se voltei ou não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-8560352865134439482?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/8560352865134439482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=8560352865134439482' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8560352865134439482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8560352865134439482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2009/01/memria-imediata.html' title='Idéia imediata'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-3481150911055771707</id><published>2008-12-08T11:05:00.000-08:00</published><updated>2008-12-08T11:14:33.796-08:00</updated><title type='text'>A partir de agora</title><content type='html'>Difícil perceber a história cercada de sons e tumultos. Só sei dizer que vi você...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi a primeira vista, muito menos a última. Mas eu estava lá e você também, num dia qualquer de verão de cidade. E na situação mais improvável de se sentir, eu não mais vi você... Eu fui você. Pelos seus poros senti arrepios estranhos, nem sempre bons, nem sempre convenientes. Olhei para todos os lados, visão turva, mas cheia de ponto certo em todo lugar. Achei graça de umas coisas estranhas, fui vista diferente. E meu perfume não era igual quando era meu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado saber exatamente o que dizer quando tudo o que importa é estar ouvindo. Nada do que se diga tem o menor efeito sobre o que você sente, e eu sinto ainda mais estranho. Afinal, se nada disso importa não há porque conviver, não há porque ser você, não há porque tentar não ser mais eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É apenas o acaso vazio, sensações descritas por promessas de uma quase vivência impossível de se tomar para si como percurso viável. E que nada parta de uma linhagem psico-depressiva com compulsão por consertar pés-de-mesa. O que vai ficar é o que você sentiu... Isso e a lembrança de uma dor diminuída que confirma a nova certeza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-3481150911055771707?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/3481150911055771707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=3481150911055771707' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/3481150911055771707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/3481150911055771707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/12/partir-de-agora.html' title='A partir de agora'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-8315426015829316601</id><published>2008-11-24T15:56:00.000-08:00</published><updated>2008-12-08T10:02:35.748-08:00</updated><title type='text'>Chuva</title><content type='html'>E foi naquele dia em que dois homens grandes e minúsculos acostumados a se justificar por tudo e por todos se encontraram. E quando se uniram surgiu um enorme balão que foi inflando e crescendo até suas bases não suportarem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nesse dia - fazia sol - o balão estourou e o que se sucedeu foi uma chuva de respostas que caíam sem parar nos telhados e carros, batendo contra janelas dos escritórios superaquecidos e superesfriados... E caíam sobre os lixos e ruas, escoando nos esgotos entupidos de tantas sugestões... Estúpidos engodos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E caíam sobre as cabeças atordoadas das pessoas que corriam e se sacudiam como cães, rindo e enchendo seus bolsos que já se abarrotavam de dúvidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-8315426015829316601?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/8315426015829316601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=8315426015829316601' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8315426015829316601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8315426015829316601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/11/chuva.html' title='Chuva'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-2960447825926703452</id><published>2008-10-07T19:57:00.000-07:00</published><updated>2008-10-07T20:06:33.624-07:00</updated><title type='text'>Micro psicose cotidiana</title><content type='html'>Ela chegou em casa irada, cansada, arremessou a bolsa bordada, inchada, acertou na janela fechada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quebrou o vidro que acertou no cachorro de três patas, que furou o olho e caiu sangrando até o fim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ela descansa todo dia apoiada na soleira com vista para a mancha vermelha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-2960447825926703452?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/2960447825926703452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=2960447825926703452' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/2960447825926703452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/2960447825926703452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/10/micro-psicose-cotidiana.html' title='Micro psicose cotidiana'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-7687038495507143447</id><published>2008-09-22T17:50:00.000-07:00</published><updated>2008-09-22T18:07:28.175-07:00</updated><title type='text'>Na esquina</title><content type='html'>Cidade feia, metade já está dormindo, metade já está acordando. E eu lá, de canto, esperando o ônibus. Acendo um cigarro, chamada imediata para o velho de calças rasgadas que logo vem me pedir um fila. Fila não se nega, se dá contra a vontade, mas não se nega.&lt;br /&gt;A mulher ciumenta vem tirar satisfações e eu abano com sorrisinho blasé. Quem disse que tem idade para sentir ciumes? Ele me olha, faz cara feia e tenta me confidenciar algo, eu não entendo nada e aceno que sim. Ele se contenta com isso e some na noite... atrás da mulher ciumenta... para garantir seu pedaço no cobertor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu olho para a rua vazia e para o ônibus que não veio e penso se terei meu espaço no cobertor. Um vento traz o cheiro da rua e do lixo ainda exposto, minhas narinas tentam captar um resquício de ar. Engasgo e a velha ao meu lado oferece um lenço. Não obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente chega o velho solitário e barulhento. Boa noite para o motorista, com vista cansada mas ainda um sorrisinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre sacolejos vou seguindo. O som da chave em casa desperta o vizinho que inicia sua crise de tosse. Lar doce lar. Um café semi-quente e um banho entre gotas e vapor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o alívio traz o sono, um passo para o sonho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-7687038495507143447?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/7687038495507143447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=7687038495507143447' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/7687038495507143447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/7687038495507143447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/09/na-esquina.html' title='Na esquina'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-2677408702791748449</id><published>2008-09-11T19:12:00.001-07:00</published><updated>2008-09-15T17:16:15.230-07:00</updated><title type='text'>Castanho-esverdeado</title><content type='html'>"Você não consegue enxergar nada além do reflexo de si mesma no seu olho se olhar direto para a superfície. É preciso um pouco de esforço para ultrapassar esta sensível camada que separa o você-do-outro e o você-profundo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anna caminhava calmamente nas margens do lago se equilibrando como fazia quando era menina... As sábias palavras da mãe brotavam de sua memória mais preservada. A brisa matinal do alto da serra lhe agradava, se chocava com o calor do ar que soltava dos pulmões provocando uma pequena fumaça branca. Anna preferia o frio porque a fazia sentir seu calor. O quentinho agradável do seu corpo a fazia lembrar quem era.&lt;br /&gt;Há tantos anos não via aquele lago, agora de águas um pouco turvas, mas ainda com o toque esverdeado lutando para manter-se no trono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você roubou o verde do lago e o guardou bem aqui nos seus olhos, eu consigo ver o lago em você onde quer que você esteja".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anna sorria toda vez que alguma frase lhe voltava à mente, conseguia ouvir ainda aquela voz doce e firme, que transformava tudo em verdade absoluta. As palavras dela abraçavam, acariciavam, repreendiam também... mas agora até isso era suave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém surgiu por entre as árvores, pela silhueta pode reconhecer. Seu irmão agora tão alto, tão dono de si. Ele aproximou-se pela outra borda do lago e pegou uma pedra. Anna riu diante da lembrança e pôs-se a correr, não antes de evitar os respingos de água no cabelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas depois e aquela cena já estava distante, Anna retornando ao velho apartamento barulhento. Potes de comida estragada espalhavam-se pela cozinha e, no quarto, ainda a cama por fazer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando poderia imaginar que sua sabedoria ia além do seu tempo? E quando poderia imaginar que o esforço para ser o seu oposto a manteria nessa dimensão sem tempo definido? E ainda... querendo voltar e recuperar o que sempre recusou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anna sentou-se no chão empoeirado, encarou-se no espelho e pôs-se a procurar o verde do lago.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-2677408702791748449?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/2677408702791748449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=2677408702791748449' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/2677408702791748449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/2677408702791748449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/09/voc-no-consegue-enxergar-nada-alm-do.html' title='Castanho-esverdeado'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-5520201780229110084</id><published>2008-08-27T16:51:00.000-07:00</published><updated>2008-08-27T17:18:26.551-07:00</updated><title type='text'>Hoje acordei maior</title><content type='html'>Hoje acordei sem caber no colchão. O quarto não era menos que um grão de areia e quando olhei para baixo, vi o mundo como uma bola de gude.&lt;br /&gt;Estiquei a mão e alcancei velhos sonhos, há tempos eles se foram em balões de gás e quase os havia perdido de vista. Mas hoje acordei maior e pude tomá-los novamente nas mãos. Com um sopro afastei a poeira e eles estavam ainda lá. Poli com a manga do casaco e logo retornou seu brilho... Pareciam ainda maiores, ou talvez meus olhos hoje tão grandes tenham visto-os de outra forma.&lt;br /&gt;Voltei a olhar para o mundo, não mais que um ponto cinza-azulado abaixo do meu pé. Me agachei e encontrei-me em pedaços perdidos... E com uma pinça juntei-me tal qual um quebra-cabeça. Uma couraça minúscula que até ontem era eu.&lt;br /&gt;E então veio o alívio e com meus pulmões hoje maiores aspirei o novo ar. Olhei para o lado certa de que a encontraria. E lá estava você com seu sorriso dizendo "eu sabia o tempo todo". Estendi minha mão e ao tocar a sua senti crescer um pouco mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de mãos dadas fomos gigantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-5520201780229110084?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/5520201780229110084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=5520201780229110084' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/5520201780229110084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/5520201780229110084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/08/hoje-acordei-maior.html' title='Hoje acordei maior'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-191571011870941174</id><published>2008-07-29T15:52:00.000-07:00</published><updated>2008-07-29T16:04:14.819-07:00</updated><title type='text'>Eternidade</title><content type='html'>Ela já se sentindo meio cansada seguia arrastando &lt;br /&gt;sua enorme caixa cheia de quinquilharias. &lt;br /&gt;De tempos em tempos o sol engolia sua sombra &lt;br /&gt;e gotas de si escorriam na face que de fora parecia sorrir, &lt;br /&gt;expressão de dor tão enganadora.&lt;br /&gt;Da caixa pesada e desengonçada &lt;br /&gt;de vez em qdo caia um pedaço de ontem. &lt;br /&gt;Mas já percorrera tantos quilômetros &lt;br /&gt;arrastando aquilo, &lt;br /&gt;não entendia pq nunca &lt;br /&gt;diminuia o peso. &lt;br /&gt;Ao contrário, &lt;br /&gt;cada vez que parava para descansar, &lt;br /&gt;o peso aumentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só entendia que seguiria arrastando aquilo por dias e dias e dias... &lt;br /&gt;e que a vida era muito longa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-191571011870941174?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/191571011870941174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=191571011870941174' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/191571011870941174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/191571011870941174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/07/eternidade.html' title='Eternidade'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-3308599348238073377</id><published>2008-05-28T17:01:00.000-07:00</published><updated>2008-05-28T17:20:27.226-07:00</updated><title type='text'>Loucura de ser</title><content type='html'>Eu bem que lutei contra, mas me forçaram a estar aqui. Tentei revidar, mas fui brutalmente coagida. Exigi meu rosto, meu mapa de memórias, mas sofri severas represálias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 15 anos impuseram-me a ordem, e nada do que eu fizesse era mais do que dar voltas no mesmo lugar e chutes esgotados no vazio... até aceitar. Aos 20 forçaram-me o amor, logo eu que não via formas e cores e bolsos e necessidades. Aos 25 vi-me sem poder me ver, olhei-me no espelho sem coragem de encarar. Pois além de toda imposição, fizeram-me acreditar covarde.&lt;br /&gt;Aos 35 cercaram-me de números e plásticos. Encurralaram-me na esquina suja e deram-me essa única opção. Enquadre-se para ser. E tantos anos perdidos se foram em assinaturas deprimentes, rabiscos incertos de mãos tremidas pela falta do crer. Arrastando-me para os 50 até o sossego foi-me vendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não sou dona do meu perfume, do meu sexo, não sou dona do meu sono. Hoje ando pela casa tocando os móveis e eles voltam-se para mim com feições monstruosas dizendo-me coisas feias, cuspindo fumaça... Os galhos das árvores no meu jardim invadem a sala pela janela e tentam arrancar minhas orelhas. As pedras da calçada se lançam contra minhas pernas e abrem feridas eternas. Não é a dor, é o sangue quase sem cor que não para de escorrer pelos meus joelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando era pequena ainda, quando ainda era... lembro-me de ouvir dizer que a minha verdade é tudo o que sempre vou ter. Pois ando de quarto em quarto procurando-a e não lembro onde a larguei. Quanto mais penso nela, menos a tenho. Daqui a pouco nem mesmo a lembrança de tê-la existirá e aí eles poderão dizer que mais um trabalho foi concluído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, jogo tomates podres no papel de parede florido e encho a casa de porta-retratos vazios esperando o tapete esgaçar para que me mandem comprar outro. E quem sabe onde isso vai dar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe se vai realmente dar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-3308599348238073377?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/3308599348238073377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=3308599348238073377' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/3308599348238073377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/3308599348238073377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/05/loucura-de-ser.html' title='Loucura de ser'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-5868965954598745135</id><published>2008-05-17T23:56:00.000-07:00</published><updated>2009-02-18T05:03:21.022-08:00</updated><title type='text'>Elline - 1815</title><content type='html'>Caminhando pelas calçadas de pedras soltas a impressão que se tinha era de que se tratava de uma cidade fantasma, mas alguns passos adiante pude ouvir um murmúrio crescente. Ao dobrar a esquina me deparei com a população excitada esbarrando-se e acotovelando-se na porta do salão de música da praça principal. A curiosidade foi mais forte, aproximei-me da multidão tentando identificar as conversas sussurradas em tom de fofoca.&lt;br /&gt;Lá dentro, longe das sobrancelhas arqueadas e mãos agitadas, Elline dava pequenos passos por entre as cadeiras da platéia vazia. A cada troca de perna, o leve farfalhar das saias produzia um som intimidador. O teto era alto demais para a pequena garotinha ruiva. Ela erguia a cabeça e breve vertigem forçava-a a buscar apoio nos assentos de forro imperial.&lt;br /&gt;O som dos passos vindos da sala ao lado ecoaram no salão. Elline voltou-se e avistou ao fundo seu acompanhante de viagem.&lt;br /&gt;- Miss Elline, precisamos ir.&lt;br /&gt;- Não posso deixar o anjo sozinho, caro senhor.&lt;br /&gt;- Anjo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garotinha apontou o dedo para os vitrais mais altos da capela à direita do salão. No espaço central estava a imagem de um anjo de bochechas rosadas e olhar piedoso, logo abaixo a inscrição "Ele está convosco". Elline não entendia aquela língua, nem tampouco sabia ler, mas compreendia que aquela fala era para ela, e com seu pensamento ingênuo tentava responder-lhe o agrado. O acompanhante ponderou, consultou o relógio de bolso e decidiu-se por deixar a menina em paz por mais uns instantes.&lt;br /&gt;Sozinha na capela, ela conversa com o anjo.&lt;br /&gt;- Se falar comigo, meu querido anjo, posso te ouvir. Compreendo tua angústia. Também eu gostaria de estar livre para brincar no jardim, colher flores amarelas e comer frutas saborosas ao fim do dia. Mas sei que meus desejos são muito pouco para ti. Tens asas e um coração imenso, de que lhe servem se nada podes ser além de um luminoso vitral?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequenas lágrimas desprendiam-se de seus olhos acinzentados.&lt;br /&gt;- Mas saiba, puro anjinho, estás no alto!Para mim é como estar no céu. De onde estás, podes me ver aqui tão pequena, podes ver quem entra e quem sai, podes ouvir a melodia da orquestra nos dias de festa, podes saborear uma noite quente e estrelada. Já eu aqui tão pequena neste mundo tão grande, o que posso fazer? Aqueles que lá fora me espreitam não esperam me ver, querem sim uma chance de arrancar-me um fio de cabelo, de contar aos seus que possuem o fio real nas mãos... Meu amado anjo, sei que entendes minha dor, pois da tua entendo muito bem. E quando eu crescer, a coroa se agarrará ao meu corpo como pesados grilhões. Pouco mais do que hoje serei, mas serei ouvida então. Aguarde-me neste dia, meu amigo, pois voltarei para te libertar. Oh anjo, se pudesse te livrar das grades me concederia um desejo? Dê-me a língua-mãe para que todos me escutem, dê-me braços gigantes para que a todos eu possa acolher. Dê-me asas como as tuas, para que eu possa chegar mais rápido e atravessar os mares... Dê-me o manto invisível, para que eu possa correr atrás das borboletas nas manhãs de primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acompanhante suspira e volta devagar para onde a pequena se encontra. Ela está quieta agora, de cabeça baixa, deixando os cachos vermelhos caírem pelos ombros. Facilmente ele a toma nos braços e a leva pelos fundos, fugindo da multidão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-5868965954598745135?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/5868965954598745135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=5868965954598745135' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/5868965954598745135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/5868965954598745135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/05/elline-1815.html' title='Elline - 1815'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-6699123261009842141</id><published>2008-05-14T18:32:00.000-07:00</published><updated>2008-05-18T00:45:03.523-07:00</updated><title type='text'>O encontro</title><content type='html'>Mello perdeu o ar ao olhar distraídamente pelo vidro fechado do carro naquela manhã tão igual a qualquer outra. Chegou a duvidar do que via, geralmente se perdia em pensamentos e alucinava com lembranças conforme o clima, a música no carro, etc. Mas não foi o caso, a cena era tão real quanto a garoa que caía sem cessar e o caos no trânsito por ela provocado naquele momento.&lt;br /&gt;Lá estava Vizzo, sim era ele, tinha certeza. O corpo encurvado, olhando para o chão, roupas pesadas, andando com um gingado particular... Era ele, totalmente diferente, mas era ele.&lt;br /&gt;Mello teve ímpetos de descer do carro, correr até lá, sacudir o homem e dar um abraço apertado. Quis arrastá-lo para um bar, dividir uma cerveja e contar-lhe sua vida, saber da vida dele... coisas que há muito não fazia. Mas, ao contrário, ficou lá parado de queixo caído, tentando imaginar tudo o que poderia ter-lhe acontecido para protagonizar aquela cena.&lt;br /&gt;Como a fila de carros estava parada, lá ficou Mello analisando e pensando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia mal clareou e logo a garoa tratou de escurecê-lo, pintando uma paisagem triste e charmosa de inverno. Peguei meu casaco largado na cadeira e saí batendo a porta. "É interessante não ter mais malas para carregar". Saí do hotel debaixo das reclamações da proprietária, ela não me queria mais lá. "É estranho não ter mais ninguém para compartilhar".&lt;br /&gt;Andei um pouco na rua sem rumo algum. Meti a mão no bolso em busca de um trocado para o café da manhã, encontrei míseras moedas. Desisti e segui andando. Esbarrei numa senhora e ela entrou em pânico, sua reação me assustou. Ela gritou e saiu correndo, agarrada à bolsa. Parei diante de uma vitrine e observei meu reflexo: quando foi que parei de pensar em mim? quando foi que me abandonei dessa forma?&lt;br /&gt;A vida não é fácil quando tomamos decisões erradas, mas... afinal, há fórmula que facilite a vida? Meus atos me afastaram do mundo e hoje estou aqui sem rumo, sem objetivos q vão além da próxima refeição. Meus talentos se enterraram no asfalto, meu orgulho desceu pela privada e meu sangue... desistiu de correr pelas minhas veias, disse-me em sonho que não lhe valia mais a pena trabalhar por mim.&lt;br /&gt;Foi então que me vi nestes trapos sujos e fedorentos, com a barba encobrindo o ex-sorriso, bochechas magras e pálidas, cabelo imundo colado no pescoço pelo suor de vários dias... Respirei fundo e desisti de pensar, foi pensando que vim parar aqui afinal.&lt;br /&gt;Foi então que olhei para a rua e viu aquela cena, quase não acreditei. A fila de carros parada, vidros escuros fechados... mas reconheci aquele rosto, não tinha como não reconhecer. Será que ele me viu? Estava tão diferente, tão bonito e sofisticado naquele carro importado, estaria indo para o trabalho? Certo que sim.&lt;br /&gt;Por um instante quis correr e bater no vidro, arrancar-lhe do carro e abraçá-lo forte. Quanta saudade daquele tempo de cumplicidade... Mas a vergonha de mim mesmo forçou meu olhar para o chão e mesmo com o coração saltando pela boca tentei passar despercebido. Pior do que ser eu é deixar meu próprio irmão ver no que me tornei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sinal abriu, Mello arrancou com um frio na barriga. Sabia que jamais tornaria a vê-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-6699123261009842141?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/6699123261009842141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=6699123261009842141' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/6699123261009842141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/6699123261009842141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/05/o-encontro.html' title='O encontro'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-8781556415944796078</id><published>2008-05-03T02:06:00.000-07:00</published><updated>2008-05-03T02:42:35.595-07:00</updated><title type='text'>Carta póstuma</title><content type='html'>Meu amor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje pela manhã acordei e vi você ao meu lado, respirando profundo, sorrindo de leve, a barba por fazer contornando o queixo pequeno. Vi a luz do dia entrar e arrancar seu sonho. Você esfregou os olhos igual a uma criança e olhou para mim, mantendo o sorriso. Eu retornei o olhar, e você nem sequer sabia quanto ele dizia...&lt;br /&gt;É bom recordar aqueles dias de outono em que caminhávamos enganchados como dois bêbados pela rua. Lembra o quanto planejávamos nesses dias?&lt;br /&gt;Teve um dia, você nem mesmo percebeu: pelo caminho cruzamos um parque e uma bola veio ao seu encontro, seguido por uma menina linda de cabelos cacheados. Você entregou a bola e ficou lá agachado, vendo-a voltar correndo para os amiguinhos. Eu vi as lágrimas no canto do seu olho e nunca tive coragem de perguntar o porquê. Como eu queria saber!&lt;br /&gt;Lembro também daquela nossa briga horrível, que até mesmo acordou os vizinhos, que vergonha... Você lembra o motivo? Eu não lembro, mas as ofensas que trocamos quase nos destruiu completamente. Se fosse agora, pediria desculpas... Nada valia tanto a pena discutir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado como quando somos crianças, projetamos o nosso futuro de uma forma tão pragmática e cronologicamente perfeita. Aí a gente cresce e repara que esqueceu de uma coisa básica chamada vida. E na vida tudo acontece na base do "depende". Então seguimos escolhendo isso ou aquilo, andando ou correndo... Tem horas que eu lembro da minha mãe dizendo: "quando você crescer vai entender isso melhor". E eu crescia e nem percebia ou nem lembrava como era antes de entender. Apenas seguia compreendendo ou protelando decisões sem me dar conta do quanto havia mudado. Chegou uma hora que simplesmente pareceu-me estar pronta: eu era uma adulta. E olha que isso aconteceu muito tempo depois do que eu planejava quando criança. Aconteceu quando vi que decidia melhor, pedia menos e fazia mais, levantava mais rápido, esquecia sem dor, falava mais devagar e pensava muito, mas muito mais. E foi tão divertido me dar conta disso que cheguei quase a esquecer que ainda aprenderia mais... Pois é, eu não sabia quando seria o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que encontrei você assim, sentindo-se igualmente pronto. Sem saber, fomos a escola um do outro. Um com o outro fomos crianças manhosas, fomos adolescentes briguentos, fomos adultos cansados. E de tantas dores e enganos e noites brigadas... aposto que já se perguntou, como eu tantas vezes me perguntei: quando fomos felizes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois agora eu vejo. Hoje de manhã, quando o sol te despertou para mim... Hoje de manhã fomos felizes. Mas não fique triste, agora eu sei que tivemos infinitos "hojes-de-manhã".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-8781556415944796078?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/8781556415944796078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=8781556415944796078' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8781556415944796078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8781556415944796078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/05/carta-pstuma.html' title='Carta póstuma'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-8771865432995842977</id><published>2008-03-12T13:47:00.000-07:00</published><updated>2008-03-12T14:04:06.541-07:00</updated><title type='text'>Orvalho</title><content type='html'>Um dia que amanhece um tanto frio, o sol parece não ter despertado ainda para sua função e, apesar da luz, brilha lá no alto fresquinho. Cara de verão das montanhas.&lt;br /&gt;Só agora de manhã viram que ela chorara mais uma vez. À noite todos se recolhem às suas vidas, não ouvem os gemidos tímidos. Mas a bela rosa está lá, úmida e cabisbaixa, exausta em um leve cochilo que todos temem interromper.&lt;br /&gt;Sua pequena parte envelhecida caída no chão, nas folhas algumas gotas relutantes em cair. Linda rosa que se acaba em dias... Fora injusta a distribuição das tarefas, fora injusto dar tanta beleza para tão pouco tempo. É doloroso não ser amado, mas é irreconhecível a dor de ser e perder tão cedo. Ver-se esvair deixando no ar apenas o perfume daquilo que já foi.&lt;br /&gt;E logo a brisa acorda para mais um dia de trabalho, varrendo os estragos do vento boêmio, destruindo as pistas e levando consigo para onde não se sabe. Rosa acorda já sem lembrança. Olha o céu azul tão lindo e se enche de charme. Uma parte sua a menos e a cor viçosa das pétalas escondidas pode enfim tomar frente... e ela ainda é a mais bela.&lt;br /&gt;Esquecimento ou fingimento, somente ao se recolher no fim da noite é que as lágrimas tornarão a cair pela perda de mais de si. Até lá, há um dia inteiro de veludo e perfume suave.&lt;br /&gt;E a linda rosa espera a noite para chorar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-8771865432995842977?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/8771865432995842977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=8771865432995842977' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8771865432995842977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8771865432995842977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/03/orvalho.html' title='Orvalho'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-247864475163383950</id><published>2008-03-04T18:55:00.000-08:00</published><updated>2008-03-04T19:16:50.526-08:00</updated><title type='text'>Sendo-me</title><content type='html'>É ela que sabe todas as minhas senhas, todos os códigos, tem a chave da minha casa e do meu cofre. Ela sabe a cor da minha alma e o peso das minhas pálpebras. Conhece o curso do meu rio de lágrimas... a seqüência das minhas palavras. Sabe quantas vezes respiro e sabe o que me faz parar de respirar. Conhece meu pulso, desenrola o emaranhado de veias, é ela que sabe quando o sangue circula mais rápido.&lt;br /&gt;Ela entende o sopro do meu pensamento matinal, sabe o que me tira o sono. Conhece meus livros, meu paladar... sabe o que é música e o que me faz gritar. Ela lê as linhas da minha mão, sabe quando minhas unhas crescem, quando meu olho muda de cor. Conhece meus segredos de beleza, meus mistérios de feiura, escuta o meu silêncio, controla o vento que levanta meu vestido. Sente o cheiro da minha dor e sabe o peso dos meus ombros. Ela percorre a linha curva da minha coluna, sabe a resposta antes da pergunta. Ela mata os monstros debaixo da minha cama, toca minha canção de ninar... ela conversa com a minha preguiça.&lt;br /&gt;Ela ouve meu estômago roncar, livra meus poros da poluição, lê meu riso ainda sorriso. Ela conhece meu ontem e escuta meus trovões. Ela salta entre minhas idéias, conhece meus lençóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me é muito mais que eu. E se não fosse, quem seria eu afinal...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-247864475163383950?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/247864475163383950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=247864475163383950' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/247864475163383950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/247864475163383950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/03/sendo-me.html' title='Sendo-me'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-970876368800038997</id><published>2008-02-25T18:48:00.000-08:00</published><updated>2008-02-25T19:14:30.102-08:00</updated><title type='text'>Primeiro amor</title><content type='html'>Mil idéias agitavam a mente do pequeno garotinho de cabelos escuros e olhos puxados iguais aos do pai. Mil movimentos a lhe provocar sorrisos, mil possibilidades de uma nova noite esgotada. Domingo ele pulava da cama com o ânimo que não lhe faria sentido anos depois. Expulsava as cobertas num chute, saltava em frente à janela e escancarava-a deixando o sol gritar na sua pele branquinha. Na casa de dois cômodos, todos eram movidos à luz solar e igualmente saltavam da cama sem o mesmo ânimo de antigamente.&lt;br /&gt;Dia de feira. Parque de diversões para ele, comida no prato para todos. E lá seguia correndo com suas pernas de formiga para alcançar a pressa mau-humorada da mãe. No local, o irmão-grandão já ajeitava as barracas gritando palavrões e trocando piadas que ele não entenderia tão cedo. Logo a função começava e o mar de calçados pisados seguia em procissão desesperada, guiada pelos cotovelos e cabelos colados no pescoço.&lt;br /&gt;O garotinho pulava atrás das bananas e tentava imitar as rimas. Mas o momento esperado chegava... Quando sua sombra esticada se aproximava do pé, lá ia ele correndo para a barraca de Josias, o cortador de carne. Agachava-se como um animal à espreita e ria baixinho de si mesmo.&lt;br /&gt;Lá ao longe ele podia ver chegando... A multidão agitada se afastava e ele sentia-se capaz de atravessar muros com seus olhos. Sapatos rosados, pintados em flores, acima do chão. Alternavam-se em dança suave e não pediam licença. Eram cortejados, sabiam eles... o que lhes davam mais graça.&lt;br /&gt;O garoto tinha aquele brilho no olhar que mais tarde desapareceria. E enrubecia-se todo ao olhar seus chinelinhos sujos tão indignos.&lt;br /&gt;À noite, ao deitar, prometia em silêncio que um dia compraria sapatos bonitos de gente grande.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-970876368800038997?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/970876368800038997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=970876368800038997' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/970876368800038997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/970876368800038997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/02/primeiro-amor.html' title='Primeiro amor'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-2180132259132124928</id><published>2008-02-07T17:57:00.000-08:00</published><updated>2008-02-08T11:47:16.697-08:00</updated><title type='text'>Dois pares</title><content type='html'>Quando os pares se cruzam, o mundo fica estranho. Eram dois: um par de um azul intenso, de profundidade oceânica; o outro negro e malicioso, sempre dizendo mais.&lt;br /&gt;Lá fora, vendavais carregados de folhas e poeira cinzenta circulavam em dança agitada... o prenúncio da desordem. Mas não importava. Importavam os raios, deles o par negro fugia, assustava-se sem reflexos, umidecia-se antes de tornar a fixar. Já o azul, destemido, continuava firme, sem interromper o trajeto imaginário, a linha que não se curvava.&lt;br /&gt;Os negros diziam, com seu leve tom sedutor, que não sabiam mais... Os azuis rebatiam depressa, tentando destruir a incerteza, sem molejo para torná-la aliada.&lt;br /&gt;Guerra divertida, a dos pares, que por inexplicável laço não conseguiam desviar. Revidavam-se em jogos eternos, sem nunca trair a si próprios. Afinal a traição era relativa, os negros valiam-se disso com toda propriedade. Enquanto que os azuis, não ingênuos, pescavam falseadas breves e daí tiravam seu poder.&lt;br /&gt;E os ventos em revolta circulavam cada vez mais rápido, medindo forças, apertando o cerco. Ventos que sonham redemoinhos, que almejam tufões furiosos... nem assim os pares se afastam. Acabam-se as forças ao seu redor, a majestosa energia inabalável permanece em seu trono provando não haver possibilidade de derrota...&lt;br /&gt;Não nesta vida, não quando os pares se cruzam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-2180132259132124928?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/2180132259132124928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=2180132259132124928' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/2180132259132124928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/2180132259132124928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/02/dois-pares.html' title='Dois pares'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-6823966810449157906</id><published>2008-02-05T19:47:00.000-08:00</published><updated>2008-02-05T20:16:45.439-08:00</updated><title type='text'>Noite de festa</title><content type='html'>Foi quando todos dormiram e os motores do galpão ao lado foram desligados... foi quando o cachorro cessou seu latido e as madeiras do chão pararam de estalar... quando a pilha do relógio da parede acabou e quando os carros pararam de passar... Quando só o som da sua própria respiração ecoava na casa e parecia que poderia ser ouvido além do Atlântico.&lt;br /&gt;Mas não era silêncio o que ela tinha ali, eram vozes, muitas vozes, acompanhadas de ruídos escandalosos e risadas altas debochadas e sarcásticas. Com os olhos colados no teto ela tentou definir quem dizia o quê e assim separar os diálogos em arquivos diferentes, talvez alternando para compreender o princípio daquilo... ou até mesmo para descobrir se teria fim.&lt;br /&gt;E assim o sono não se encorajava, passava o tempo e as pupilas, acostumadas à escuridão da noite, brilhavam enormes como olhos de gato. Prendeu um espirro e ouviu um "saúde" de uma voz jovial e dinâmica. Sorriu e agradeceu com a cabeça. Aos poucos foi se enturmando na festa sonora, apurando as conversas e quase ousando se intrometer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pontualmente às 6h da manhã, no apartamento empoeirado do 4º andar, a luz atravessa a sala de estar para avisar que a vida recomeça lá fora. As despedidas acontecem todas ao mesmo tempo e, de repente, tudo está vazio mais uma vez. Sozinha na cama estreita com seus velhos lençóis ela fecha os olhos e adormece.&lt;br /&gt;Na sua mente, copos vazios e restos de comida pelo chão aguardam a próxima noite de festa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-6823966810449157906?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/6823966810449157906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=6823966810449157906' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/6823966810449157906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/6823966810449157906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/02/noite-de-festa.html' title='Noite de festa'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-420456413415245542</id><published>2008-01-28T17:22:00.000-08:00</published><updated>2008-01-28T17:46:33.592-08:00</updated><title type='text'>Tumor</title><content type='html'>Hoje acordei com aquele gosto na boca de de vez quem quando... esse gosto me lembra de um velho conhecido hipocondríaco que dizia "sentir gosto e cheiro estranho é coisa de câncer". Pode ser sim. Um velho tumor que volta e meia dá uma crescidinha, monopoliza umas áreas do cérebro e resgata sabores e perfumes.&lt;br /&gt;E talvez nesse dia cinzento típico dos poetas deprimidos eu tenha pensado demais, voltado no tempo, ansiando me jogar no depois só pra ver o que vai acontecer e depois retornar tranquila e tomar decisões certas.&lt;br /&gt;A sensação é igual a de sempre e a de todo mundo. De quando eu me sentava na platéia e assistia ballet soluçando de tanta frustração. De quando, só de lembrar daquela discussão que virou barraco que virou doença que virou rancor eterno sentia o peito apertar até quase sumir. E isso doía de verdade. De quando, quase ontem, ouvi o baque das malas no chão porque não tinha mais nada a ser ouvido. De quando vi aquela carta ser lembrada depois de quase 10 anos e senti o peso da responsabilidade de ser irresponsável. De quando tive que ir embora e chorei um mês de saudade e um mês de alegria.&lt;br /&gt;Vontade doida de pedir desculpas mil vezes... e talvez já tenha pedido. Vontade de ser aquilo que ela sonhou quando tinha cabelos longos e corpinho de miss e namorava o cara magrinho que andava de fusca. Vontade de ser cor-de-rosa como ele sempre quis. Vontade de concluir aquele livro só pra hoje ler e rir. Vontade do cheirinho de gel e do batom de marca boa que marcava na bochecha. E da marca de dedo na máquina fotográfica. Vontade do chinelo que respira e de foto no caminhão azul. Vontade de café na estrada. Vontade de ver aquela vaca pastando na cidade.&lt;br /&gt;Vontade do susto atrás da porta e da história da bruxa repetida até esgotar os finais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a vontade vai com a chuva... e eu vou ficar aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-420456413415245542?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/420456413415245542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=420456413415245542' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/420456413415245542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/420456413415245542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/01/tumor.html' title='Tumor'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-8922233123605942405</id><published>2008-01-26T07:55:00.000-08:00</published><updated>2008-01-26T08:51:37.404-08:00</updated><title type='text'>Quando cai a noite</title><content type='html'>Pouco depois das oito da noite ela gostava de sentar no sofá e se aconchegar, esperando por sua novela. Gostava de tomar seu café devagar. Gostava de fazer cafuné no seu amor.&lt;br /&gt;Um pouco mais tarde dessa vez, ela sentou no seu lugar habitual, chamou Cesinha e pôs-se a passar os dedos entre os anéis do seu cabelo fino e levemente dourado. Desta vez mais cansada, com um pouco de dificuldade devido ao ferimento enfaixado da mão direita.&lt;br /&gt;Fazia um esforço, mas era recompensada. Seu prêmio era aquele sorriso de canto de boca que ele dava cada vez que ela lhe agradava desse jeito. Seu prêmio era os olhos castanhos semi-cerrados, o calor do corpo dele repousando no seu colo. Nesse momento era feliz.&lt;br /&gt;Enquanto agradava seu amor, olhava ao redor. Os quadros nas paredes acolhedoras, o perfume das flores na janela, o tapete fofinho sob seus pés maltratados... Ele lhe dera uma vida de verdade. Lembrar da sua vida três anos atrás era até doloroso. Gritos, choro de criança, briga de vizinhos, panelas amassadas com sobras de carne dura... e o cheiro... lembrar daquele cheiro fazia o odor voltar-lhe às narinas. Aquele lugar fedia a esgoto, bicho morto, comida estragada.&lt;br /&gt;Mas aí surgiu seu anjo, lhe arrancando da pele a cor imunda das ruas barrentas, tirando as vergonhas encrustadas nos nós do seu cabelo maltratado, escovando a dor da ignorância colada às suas costas sardentas, lavando a sordidez agarrada aos dentes amarelados.&lt;br /&gt;Fez-se ela, mulher cuidada, sorridente e com brilho nos olhos. Que anda pela casa balançando os quadris contentes com a vassoura na mão, cantarolando músicas que só ela conhecia.&lt;br /&gt;Os dias difíceis são passageiros agora. As dores são merecidas. Castigo é necessário de vez em quando, ela bem sabe. Mas as feridas agora saram rapidinho e ela nem liga.&lt;br /&gt;Só lhe interessa o cair da noite para assistir sua novela, tomar seu café devagar e fazer cafuné no seu amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-8922233123605942405?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/8922233123605942405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=8922233123605942405' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8922233123605942405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8922233123605942405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/01/quando-cai-noite.html' title='Quando cai a noite'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-5158799308829471969</id><published>2008-01-16T06:16:00.000-08:00</published><updated>2008-01-16T06:19:48.693-08:00</updated><title type='text'>Gaiola vazia</title><content type='html'>Me disseram que a febre é só reflexo, é só parágrafo... E eu que perdi tanto tempo dizendo e achando ser explicação, fundamento, conclusão sem prévia e sem propósito. As têmporas doem um pouco mais a cada pulsação e gritar já é proibido, ato devasso, obsceno e inadequadamente enquadrado em desencaixes das moléculas no ar. E mesmo que eu tentasse, ao simples lançar da idéia, ela não espera e em perplexa forma foge de mim em vôo rápido e rasante o que para ela é apenas suave passeio.&lt;br /&gt;Até mesmo a possibilidade de chamá-la já é vergonhosa, mal ouso tentar. É inútil se convencer de que fui quem pulou primeiro se ainda estou lá, em débil aceno à nuvem baixa, sonhando e buscando ainda ver a silhueta desenhada nos meus olhos em toda manhã quente e sonora.&lt;br /&gt;Não... gritar não... É pecado... macula o canto incompreensível da queda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-5158799308829471969?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/5158799308829471969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=5158799308829471969' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/5158799308829471969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/5158799308829471969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/01/gaiola-vazia.html' title='Gaiola vazia'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-5690614451382075065</id><published>2008-01-15T19:46:00.000-08:00</published><updated>2008-01-15T19:58:12.479-08:00</updated><title type='text'>À prova</title><content type='html'>Ele arriscou umas palavras, mas não sabia falar inglês. Tampouco sabia falar. Ao encarar aquele rosto pequeno ele engolia seco, agitava as mãos em pedido cego de socorro, enquanto seus olhos explodiam em aflições e angústias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que palavras com tanto olhar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garotinha sorria e em cada sorriso um tempo que já foi. Cada som infantil uma marca do passado que ele não saberia reconhecer. Poderia usar discursos, poderia apoiar-se em grandes nomes. Sim, o presente é tudo o que temos. Diga isso cem vezes sem gaguejar e tente ser dono dessa verdade. Fora das duvidosas palavras do mundo, ele apenas sabia que sim, passado é real. Passado dói, transforma e não se altera.&lt;br /&gt;Passeio no parque, coca-cola, picolé e aqueles bichinhos de pelúcia que colam no vidro... subterfúgios nulos, retirados como modelo de um filme com final feliz e que nunca se aplica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele sabe. Mas ela não. Ela só sorri e estende os dedinhos minúsculos que mais cedo foram rabiscados de caneta colorida e agora apresentam riscos gastos e pouco visíveis. E ele continua engasgado sabendo que aquele desenho vivo ele jamais verá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-5690614451382075065?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/5690614451382075065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=5690614451382075065' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/5690614451382075065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/5690614451382075065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/01/prova.html' title='À prova'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5184014060902057173.post-8239744498226221306</id><published>2008-01-15T19:26:00.000-08:00</published><updated>2008-01-15T19:40:16.808-08:00</updated><title type='text'>Porque é assim que é</title><content type='html'>Livres para ver, sentir, chegar, fugir, provar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada que se exija é digno de ser. Então que seja menos imperativa a voz, menos rijo o movimento. Negar as regras e se render à revolta banal, negar os padrões e descobrir onde mora a essência... e o que não é válido é apenas o que não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é assim que é. Facultativo, sem portas e relógios. Apenas o velho e bom sorriso de boas vindas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5184014060902057173-8239744498226221306?l=sissasabenada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sissasabenada.blogspot.com/feeds/8239744498226221306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5184014060902057173&amp;postID=8239744498226221306' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8239744498226221306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5184014060902057173/posts/default/8239744498226221306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sissasabenada.blogspot.com/2008/01/porque-assim-que.html' title='Porque é assim que é'/><author><name>Vivian</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00856103284915859177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_onz7inFeXwE/TOfuW9_HIyI/AAAAAAAAAms/5VsG341zwu0/S220/arco-iris%2Bcapa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
